segunda-feira, 23 de março de 2015

As Ovelhas mostra o universo da população carcerária feminina do Bom Pastor

Ensaio fotográfico foi realizado como Trabalho de Conclusão do Curso de  Jornalismo


Uma das fotos do catálogo. 
Foto: Priscila Urpia
Apresentado no formato ensaio fotográfico documental, o Projeto Experimental As Ovelhas é um retrato das mulheres que cumprem pena na Colônia Penal Feminina do Recife - CPFR, conhecida como Colônia Penal Feminina Bom Pastor. Realizado no segundo semestre de 2014 e da autoria da jornalista Priscila Urpia, recém-formada pela Faculdade Joaquim Nabuco, o Trabalho de Conclusão de Curso (que concorre ao Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo na categoria Estudante de Jornalismo – Foto) mostra a realidade da mulher carcerária, mulheres em processo de triagem, aguardando sentenças judiciárias no regime fechado e algumas já sentenciadas. A CPFR abriga quase mil mulheres, três vezes mais que a sua capacidade, que é de 270 detentas.


Sob o olhar de Priscila Urpia, o ensaio fotográfico faz uma releitura da figura feminina prisional do Recife e do Brasil. A jornalista investigou que muitas mulheres cometem crimes por questões de necessidade, para manter a prole, outras para pagamentos de dívidas, ou para manter o vício nas drogas e ajudarem seus companheiros. Ao serem presas, precisam aprender a lidar com o preconceito e, muitas vezes, a rejeição dos próprios companheiros e parentes. Em entrevista à equipe de Comunicação do Instituto PAPAI, Priscila destacou o que mais a marcou durante a execução do projeto e as expectativas em relação ao ensaio fotográfico.

A jornalista Priscila Urpia
Foto: acervo pessoal
Instituto PAPAI - Quais foram os seus objetivos específicos durante a realização do Projeto?
Priscila Urpia - Em linhas gerais, retratar a realidade atual da mulher carcerária no Recife, humanizar a figura feminina quanto à prisão penal; diminuir o preconceito à mulher criminosa; alertar sobre a problematização social do sistema prisional feminino do Recife e do Brasil; dialogar sobre as consequências de crimes oriundos das mulheres da CPFR na sociedade; detalhar o universo feminino dentro da CPFR, suas limitações enquanto cumpridora penal.

I.P - O que mais lhe chamou a atenção durante a realização do trabalho?
P.U. - Foi a descoberta de um perfil diferente das mulheres que aguardam a sentença judicial. A desmitificação do estigma de reeducandas pertencentes à Colônia Penal Feminina do Bom Pastor. Outro ponto que me chamou a atenção foi a resiliência em todos os aspectos humanos dessas mulheres. A prisão é um ambiente marcado pelo medo, descaso, hostilidade e violência, além do estigma do crime. Por se tratar de um estigma, pela culpa de caráter individual, o tratamento em relação às reeeducantas deve ser no sentido de fazer sugir ou ressurgir a figura humana sem estereótipos, respeitando a subjetividade e individualidade de cada uma.

I.P - Há alguns projetos experimentais que começam a fazer parte de um portfólio profissional. Essa é sua intenção também? Como acha que esse trabalho contribui para a sua trajetória profissional como jornalista e mulher?

P.U. - Sim, com certeza faz parte do meu portfólio. Este projeto é o início de outros projetos que pretendo realizar também explorando o universo feminino utilizando a fotografia. Este trabalho descortina um universo feminino ainda desconhecido pela sociedade. O ensaio fotográfico As Ovelhas dialoga com o jornalismo humanizado e contribui no que diz respeito a reportar e descrever informações através de imagens, além de fazer valer um dos pontos principais e importantes do jornalismo: o compromisso social. O ensaio é constituído de fragmentos que contam histórias, anseios, mensagens subliminares e desmitifica o estereótipo da mulher no cárcere nos dias atuais. 

Confira outras imagens do ensaio As Ovelhas







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