quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Rede de Homens pela Equidade de Gênero divulga carta de repúdio ao Deputado Jair Bolsonaro



O documento chama a atenção pelo descumprimento dos direitos humanos

Rede de Homens Pela Equidade de Gênero (RHEG), formada pelo Instituto Papai, Promundo, NOOS, Coletivo Feminista, Ecos – Comunicação e Sexualidade, Themis, Margens/UFSC, Gema/UFPE publicou nesta quinta-feira, carta de repúdio ao Deputado Jair Bolsonaro pelo recente pronunciamento do parlamentar afirmando que só não estupraria uma colega (a Deputada Maria do Rosário) porque ela não merece.  Além de o deputado faltar com a ética, a Rede entende que o parlamentar cometeu uma grande falta de respeito e uma grave violação dos direitos humanos.

Abaixo segue a carta na íntegra, assinada pelas entidades que compõem a Rede de Homens Pela Equidade de Gênero (RHEG).




Recife, 11 de Novembro de 2014.

Carta pública para Corregedoria da Câmara de Deputados do Congresso Nacional Brasileiro

Fundada em 2004, a Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG) é uma articulação nacional de organizações da Sociedade Civil, núcleos acadêmicos e grupos independentes que produzem ações políticas e pesquisas com/sobre homens e masculinidades em nosso país, em prol da garantia dos direitos humanos para a democratização do Estado, sem discriminações religiosas, raciais, ideológicas, de gênero, orientações sexuais ou quaisquer outras formas de violência.
Vimos por meio desta emitir nosso repúdio ao discurso recentemente proferido, na Câmara Legislativa Nacional, pelo Deputado Jair Bolsonaro.
Como representante do povo, eleito por via democrática, este homem deveria respeitar os princípios caros aos direitos humanos e as leis brasileiras em sua plenitude. Contudo, há muito tempo o mesmo tem desrespeitado os cidadãos e cidadãs de nossa Nação, de modo inconsequente e irresponsável. Assim, no dia 09 de dezembro, ao usar a tribuna do Congresso Nacional para dizer que só não estupraria uma colega (a deputada Maria do Rosário) porque ela não merece, além de faltar com a ética que a vida de uma pessoa pública pede, o referido deputado cometeu uma grande falta de respeito (em especial a todas as mulheres) e realizou grave violação dos direitos humanos.
Entendemos que o deputado Jair Bolsonaro, ao dizer que só não estupraria a nobre deputada porque ela não merecia, faltou também com decoro parlamentar (que significa recato no comportamento, decência, acatamento das normas morais, dignidade, honradez, pundonor, seriedade nas maneiras e compostura), induzindo também em seu discurso que, se caso ela não fosse quem fosse (uma deputada), deveria ser estuprada. Outros elementos de suas falas, além da forma com que se posta publicamente, parte do pressuposto ou divulga a ideia de que há mulheres que merecem ser estupradas e prega o total desrespeito a essas.
O deputado Bolsonaro assume uma postura machista e, ao defender a violência contra a mulher como arma de subjugação da mesma aos homens, coloca-se, simbolicamente, como o modelo da masculinidade hegemônica a ser seguido por outros que concordam com ele. O que é altamente prejudicial à integridade física, psicológica e moral das mulheres, pois, incentiva atos de violência às mesmas a partir dessa ideia machista.
O Congresso Nacional ao se calar diante desse ato apoia, por omissão e silenciosamente, essas premissas do referido deputado. É importante lembrarmos que a Câmara dos Deputados é a casa que defende o povo brasileiro (ou deveria), assim, quando ela cala diante dessa grave atitude promovida por um deputado, desrespeita todos/as cidadãos e cidadãs do Brasil. Afinal, “o silêncio é cúmplice da violência”, um dos slogans da Campanha Brasileira do Laço Branco, que visa envolver os homens em ações pelo fim da violência contra a mulher. Violência verbal é também violência e instigar/promover o ódio, a violência ou discriminação, em nosso país, é crime.
Como uma entidade que defende um mundo onde homens e mulheres sejam tratados com respeito, dignidade e sem violência, acreditamos que a casa que representa a nação brasileira não pode se calar diante do que aconteceu e exigimos uma postura pró-ativa e clara do Congresso, primeiramente exigindo uma retratação pública imediata do referido deputado e também solicitamos a abertura do processo de cassação do mandato do referido deputado por falta de decoro parlamentar.

Atenciosamente,

Rede de Homens Pela Equidade de Gênero (RHEG)                                        
Instituto Papai, Promundo, NOOS, Coletivo Feminista, Ecos – Comunicação e Sexualidade, Themis, Margens/UFSC, Gema/UFPE



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